DESPEDIDA
Por mim, e por vós, e por mais aquilo que está onde as outras coisas nunca estão, deixo o mar bravo e o céu tranqüilo: quero solidão. Meu caminho é sem marcos nem paisagens. E como o conheces? - me perguntarão. - Por não ter palavras, por não ter imagens. Nenhum inimigo e nenhum irmão. Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada. Viajo sozinha com o meu coração. Não ando perdida, mas desencontrada. Levo o meu rumo na minha mão. A memória voou da minha fronte. Voou meu amor, minha imaginação... Talvez eu morra antes do horizonte. Memória, amor e o resto onde estarão? Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra. (Beijo-te, corpo meu, todo desilusão! Estandarte triste de uma estranha guerra...) Quero solidão. |
Cecília Benevides de Carvalho Meireles - nasceu no Rio
de Janeiro, 7 de novembro de 1901 e morreu no Rio, 9
de novembro de 1964. Foi poetisa, pintora, professora e jornalista.
É considerada uma das vozes líricas mais importantes das literaturas da
língua portuguesa.
|
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
ZEZO LANÇA 'INTERVALO', PAUSA DE POESIA
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário